Saturday, March 7, 2026
No menu items!
Carnaval Gurupi 2026
HomeMUNDOConselho de transição do Haiti encerra mandato após ameaça dos Estados Unidos

Conselho de transição do Haiti encerra mandato após ameaça dos Estados Unidos

O Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti encerrou neste sábado (7) o mandato de dois anos à frente do país. A decisão ocorre após os Estados Unidos ameaçarem intervir na nação caribenha caso o poder não permanecesse sob comando do gabinete do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé.

Durante cerimônia realizada em Porto Príncipe, o presidente do CPT, Laurent Saint-Cyr, afirmou que o fim do mandato do Conselho não deixará o país em um vazio de poder. Segundo ele, o Conselho de Ministros seguirá à frente do Executivo, sob a liderança do primeiro-ministro.

“Ao contrário, o Conselho de Ministros, sob a direção do primeiro-ministro, garantirá a continuidade do governo. A palavra de ordem é clara: segurança, diálogo político, eleições e estabilidade. Deixo minhas funções com a consciência tranquila e convencido de ter tomado as decisões mais justas para o país”, declarou Saint-Cyr.

Sem eleições nacionais desde 2016, o CPT assumiu o poder em abril de 2024 com a missão de conduzir uma transição política após a renúncia do então primeiro-ministro Ariel Henry, que governava desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021.

Formado por nove conselheiros representantes de diferentes setores da sociedade, o CPT assumiu a tarefa de preparar eleições gerais e recuperar áreas dominadas por gangues armadas, que chegaram a controlar regiões inteiras da capital haitiana.

Também foi debatida a possibilidade de nomeação de um presidente para dividir a liderança do Estado com o primeiro-ministro, mas não houve consenso em torno de um nome.

Ameaças dos EUA

Às vésperas do encerramento do mandato, o CPT anunciou a intenção de destituir o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé. Indicado pelo próprio Conselho, ele deveria conduzir o Executivo até a realização das eleições, previstas para ocorrer entre outubro e novembro deste ano.

A ameaça de afastamento levou o governo do presidente Donald Trump a enviar três navios de guerra à Baía de Porto Príncipe para assegurar a permanência de Fils-Aimé no cargo.

Em nota, a embaixada dos EUA no Haiti informou que os navios USS Stockdale, USCGC Stone e USCGC Diligence chegaram ao país como parte da Operação Lança do Sul, destacando o compromisso norte-americano com a segurança e a estabilidade haitiana. A representação diplomática acrescentou que qualquer tentativa de alteração no comando do governo seria considerada uma ameaça à estabilidade regional, com a promessa de adoção de “medidas adequadas”.

Tentativa de golpe

O professor aposentado de relações internacionais da Universidade Federal de Santa Maria, Ricardo Seitenfus, afirmou à Agência Brasil que houve uma tentativa final de afastar Fils-Aimé antes do fim do mandato do CPT.

“Como o primeiro-ministro demonstrou certa capacidade de articulação política, houve uma tentativa de golpe para retirá-lo antes do encerramento do mandato, com o objetivo de escolher outro nome”, avaliou o especialista.

Seitenfus esteve recentemente no Haiti para o lançamento de um livro sobre o país e destacou avanços na segurança. Segundo ele, o governo conseguiu retomar o controle de diversas áreas anteriormente dominadas por gangues armadas.

“Circulamos por vários bairros e, pouco a pouco, eles estão sendo libertados. As gangues tendem a se refugiar em outras regiões. O processo está avançando relativamente bem”, afirmou.

Para o especialista, a realização de eleições deve ser prioridade. “As eleições não resolvem todos os problemas, mas sem eleições nada será resolvido”, concluiu.

Forças de segurança

Desde o assassinato de Jovenel Moïse, o Haiti tem anunciado medidas e parcerias internacionais para garantir condições mínimas de segurança para a realização de eleições. Entre elas, está a missão internacional de policiais liderada pelo Quênia em apoio à Polícia Nacional Haitiana.

No ano passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a criação de uma Força Multinacional de Repressão às Gangues, ampliando a missão anterior. Paralelamente, o governo também recorreu à contratação de mercenários estrangeiros para enfrentar os grupos armados.

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Advertisment -
Google search engine

Most Popular

Recent Comments