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Cerrado perde 38% das águas naturais em 40 anos e acende alerta para região Tocantins-Araguaia

Encontro das águas - Rio Tocantins e Araguaia

Encontro das águas - Rio Tocantins e Araguaia

A área ocupada por rios, lagoas e outras formações naturais de água no Cerrado diminuiu 38% entre 1985 e 2025.

Os dados fazem parte da quinta coleção do MapBiomas Água e mostram uma transformação significativa na disponibilidade e na distribuição dos recursos hídricos do bioma.

A região hidrográfica Tocantins-Araguaia aparece entre as mais afetadas pela perda de água natural. Em quatro décadas, foram reduzidos cerca de 61 mil hectares de superfície hídrica natural na região.

Enquanto rios, lagoas e áreas alagadas perderam espaço, reservatórios e outros corpos hídricos artificiais avançaram. Na região Tocantins-Araguaia, essas áreas cresceram aproximadamente 171 mil hectares desde 1985.

Perda de água natural no Cerrado chega a 38%

O levantamento aponta que o Cerrado sofreu uma redução expressiva de seus corpos hídricos naturais ao longo das últimas quatro décadas.

Entre 1985 e 2025, a área ocupada por rios, lagoas e áreas alagadas naturais encolheu 38%. No sentido contrário, a superfície formada por reservatórios e barragens aumentou 87% no mesmo período.

Os números revelam uma mudança na configuração hídrica do Cerrado, considerado estratégico para o abastecimento de importantes bacias hidrográficas brasileiras.

Tocantins-Araguaia perdeu 61 mil hectares de água natural

A região hidrográfica Tocantins-Araguaia está entre as áreas que mais perderam superfícies naturais de água.

Segundo o levantamento, aproximadamente 61 mil hectares desapareceram ao longo dos 40 anos analisados.

Ao mesmo tempo, os corpos hídricos artificiais avançaram cerca de 171 mil hectares na região. O crescimento coloca o Tocantins-Araguaia atrás apenas da região Amazônica na expansão desse tipo de superfície.

Reservatórios não substituem funções dos rios e lagoas

Embora reservatórios e barragens sejam importantes para atividades como abastecimento, irrigação e geração de energia, pesquisadores alertam que essas estruturas não desempenham as mesmas funções ecológicas dos ambientes aquáticos naturais.

Rios, lagoas e áreas úmidas participam diretamente da regulação do ciclo da água e da conservação da biodiversidade.

A substituição dessas áreas por estruturas artificiais pode, portanto, aumentar a vulnerabilidade do Cerrado aos períodos de seca e aos efeitos das mudanças climáticas.

Hidrelétricas alagaram áreas de vegetação nativa

A expansão de empreendimentos hidrelétricos também provocou mudanças significativas na paisagem do Cerrado.

Entre 1985 e 2025, aproximadamente 312 mil hectares de vegetação nativa foram alagados pela formação de reservatórios associados às hidrelétricas.

A área corresponde a mais de duas vezes o território do município de São Paulo.

Apesar da importância dessas estruturas para a geração de energia, pesquisadores destacam que a transformação dos ambientes naturais pode provocar impactos sobre diferentes ecossistemas.

Cerrado registra 25 anos abaixo da média histórica

Outro dado que chama atenção é a sequência de anos com menor disponibilidade de água natural.

O Cerrado acumula 25 anos consecutivos com uma superfície de água natural abaixo da média histórica, estimada em aproximadamente 680 mil hectares.

Em 2025, foram registrados cerca de 559 mil hectares de superfície hídrica natural. O volume ficou 17% abaixo da média histórica do bioma.

Expansão agropecuária e captação de água estão entre os fatores

O levantamento aponta diferentes fatores associados à redução das superfícies naturais de água no Cerrado.

Entre eles estão a conversão da vegetação nativa para a expansão das atividades agropecuárias, a supressão de áreas úmidas e o aumento da captação de água.

A ampliação de sistemas artificiais de drenagem também aparece entre os fatores que podem contribuir para as mudanças observadas nas últimas décadas.

Maioria das regiões hidrográficas perdeu água natural

A redução não está concentrada em apenas uma área do Cerrado.

Segundo o estudo, 77% das regiões hidrográficas do bioma apresentaram perda de superfície de água natural.

As maiores reduções foram observadas nas regiões hidrográficas do Paraguai, Paraná e Tocantins-Araguaia.

Por outro lado, as regiões Amazônica, Tocantins-Araguaia e Paraná concentraram os maiores aumentos de corpos hídricos artificiais. Juntas, elas representam 82% de toda a superfície de água de origem antrópica identificada no Cerrado.

Mudanças podem afetar abastecimento e produção agropecuária

As transformações nos recursos hídricos podem provocar impactos que vão além da conservação ambiental.

A construção de reservatórios altera o fluxo natural dos rios e pode reduzir a conexão entre diferentes ambientes aquáticos. Essas estruturas também podem reter sedimentos e interferir na disponibilidade de água nas regiões localizadas abaixo das barragens.

Os efeitos podem atingir habitats naturais, áreas úmidas e espécies aquáticas. Também existem possíveis impactos sobre o abastecimento de água, a produção agropecuária, a pesca de subsistência e comunidades tradicionais.

No caso da região Tocantins-Araguaia, os dados reforçam a importância do monitoramento dos recursos hídricos e da adoção de políticas capazes de conciliar produção, geração de energia e conservação ambiental.

A preservação das nascentes, das matas ciliares e das áreas úmidas também se torna estratégica diante de um cenário de temperaturas mais elevadas e períodos prolongados de estiagem.

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