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G7 mantém juros congelados sob pressão do petróleo e expectativa pela inflação global

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde

Os principais bancos centrais das economias do G7 devem manter as taxas de juros inalteradas nesta semana, enquanto acompanham com atenção o avanço dos preços do petróleo e seus impactos sobre a inflação global.

As decisões envolvem o Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, o Banco Central Europeu (BCE), o Banco da Inglaterra (BoE), o Banco do Japão (BoJ) e o Banco do Canadá (BoC). A expectativa do mercado é de manutenção dos juros, mas com discurso mais rígido diante da pressão inflacionária causada pela energia.


Alta do petróleo aumenta cautela entre autoridades monetárias

O principal fator de preocupação está no Oriente Médio. O impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã e as dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz elevaram os preços do petróleo e reacenderam o temor de uma nova onda inflacionária.

Com o Brent acima de US$ 107 e o WTI próximo de US$ 96, bancos centrais passaram a adotar uma postura mais cautelosa. Isso porque o aumento no custo da energia costuma pressionar transporte, indústria e consumo em várias economias ao mesmo tempo.


Fed deve manter juros e observar inflação americana

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve também deve optar pela manutenção das taxas. A primeira leitura do PIB do primeiro trimestre deve apontar crescimento anualizado de 2,2%, enquanto o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), principal indicador de inflação do Fed, pode mostrar aceleração no ritmo anual.

Além disso, o mercado acompanha a possibilidade de esta ser uma das últimas reuniões sob o comando de Jerome Powell, diante do avanço da indicação de Kevin Warsh para a presidência do banco central americano.


Europa e Reino Unido seguem atentos ao custo da energia

Na zona do euro, a expectativa é de inflação ao consumidor próxima de 3%, acima da meta de 2% do BCE. Já o Banco da Inglaterra também deve evitar cortes imediatos e manter espaço para uma postura mais dura caso os preços continuem pressionados.

Dessa forma, a política monetária segue mais restritiva mesmo com sinais de crescimento ainda moderado em várias economias desenvolvidas.


Banco do Japão e Canadá também devem adotar compasso de espera

No Japão, o Banco do Japão deve adiar um novo aumento de juros, principalmente por causa do impacto da alta do petróleo sobre uma economia fortemente dependente da importação de energia.

No Canadá, a taxa básica deve permanecer em 2,25%, com o banco central aguardando sinais mais claros sobre o efeito do choque do petróleo na inflação e no crescimento econômico.


Mercado espera sinais sobre próximos passos

Mesmo sem cortes ou aumentos imediatos, investidores observam principalmente o tom dos comunicados oficiais. Isso porque qualquer sinal de endurecimento monetário pode mexer com bolsas, câmbio e juros globais.

Assim, a semana se torna decisiva para entender se o G7 seguirá apenas em compasso de espera ou se o choque do petróleo pode adiar ainda mais o início de uma flexibilização monetária mundial.

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