Variante do Influenza foi predominante no inverno do Hemisfério Norte
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta sobre o aumento da circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, com destaque para a gripe causada pela variante K do vírus Influenza A (H3N2) e para o avanço do Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Segundo a entidade, o cenário atual já indica o início gradual da temporada de inverno na América do Sul, período que tradicionalmente concentra maior circulação desses vírus. Por isso, a recomendação principal é intensificar a vacinação e reforçar medidas de prevenção.
Variante K deve predominar na temporada de gripe
A chamada gripe K foi identificada pela primeira vez no ano passado e predominou durante o inverno no Hemisfério Norte. No Brasil, o subclado foi detectado em dezembro de 2025 e já apresenta forte circulação.
De acordo com a Opas, apesar de a variante não ser considerada mais grave do que outras cepas de influenza, ela está associada a temporadas mais longas de transmissão e a picos mais concentrados de demanda hospitalar, o que pode pressionar os serviços de saúde.
Até março, 72% das amostras sequenciadas no país já correspondiam ao subclado K, com predominância da Influenza A (H3N2).
VSR também preocupa, principalmente entre crianças
Além da influenza, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) também apresenta crescimento antecipado no Hemisfério Sul e preocupa especialmente por atingir com mais intensidade crianças pequenas, bebês e idosos.
A Opas alerta que a combinação entre gripe e VSR pode elevar rapidamente a procura por atendimento hospitalar, principalmente em unidades pediátricas e de emergência respiratória.
Por isso, os países devem ajustar seus planos de resposta e ampliar a vigilância epidemiológica para evitar sobrecarga no sistema de saúde.
Vacinação segue como principal forma de prevenção
A principal orientação da Opas continua sendo a vacinação contra a influenza, especialmente entre os grupos de maior risco, como idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas e profissionais da saúde.
A vacina disponível no SUS neste ano já inclui a cepa H3N2 e estudos internacionais mostram eficácia de até 75% contra hospitalizações em crianças, além de boa proteção contra formas graves da doença.
Além da vacinação, especialistas reforçam medidas simples, como higiene das mãos, uso de máscara em caso de sintomas respiratórios e permanência em casa diante de sinais gripais.
Taxa de positividade já começou a subir no Brasil
Embora a atividade da influenza ainda seja considerada baixa, os números já mostram crescimento. No Brasil, a taxa de positividade permaneceu abaixo de 5% durante o primeiro trimestre, mas subiu para 7,4% no fim de março.
Esse avanço reforça a expectativa de uma temporada mais intensa nas próximas semanas, principalmente com a queda das temperaturas em várias regiões do país.
Serviços de saúde devem se preparar para o inverno
Diante desse cenário, a Opas orienta os países do Hemisfério Sul a reforçarem o fornecimento de antivirais, equipamentos de proteção individual e a organização da rede hospitalar.
Além disso, a entidade destaca que o diagnóstico precoce e o manejo clínico adequado são fundamentais para reduzir internações e mortes, especialmente entre pacientes mais vulneráveis.
Com isso, o alerta funciona como um sinal antecipado para que governos e população se preparem antes do pico do inverno.
