O governo federal trabalha na construção de um Plano Safra 2026/2027 mais robusto, com ampliação de recursos e foco direto no principal desafio enfrentado pelo produtor rural atualmente: o acesso ao crédito no campo.
A proposta busca responder às dificuldades provocadas pelos juros elevados, pela maior seletividade dos bancos e pelo aumento do endividamento no agronegócio. Segundo o ministro da Agricultura, André de Paula, a determinação é avançar com um plano mais arrojado, capaz de atender às expectativas do setor e reduzir os impactos econômicos sobre a produção rural.
Crédito rural segue como principal gargalo do produtor
De acordo com o ministro, o problema não está apenas no volume de recursos disponíveis, mas principalmente nas condições de financiamento oferecidas ao produtor.
Com a Selic ainda em patamar elevado, muitas instituições financeiras adotaram postura mais cautelosa, o que dificultou a liberação de crédito, principalmente para pequenos e médios produtores. Por isso, o novo Plano Safra deve buscar equilíbrio entre oferta de recursos e juros mais acessíveis.
Além disso, o governo pretende ampliar a participação de cooperativas de crédito e instrumentos privados no financiamento da safra, reduzindo a dependência exclusiva dos recursos públicos.
CPR ganha força e muda perfil do financiamento rural
Os dados mais recentes mostram que o crédito privado já ocupa espaço cada vez maior no agronegócio. Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, os recursos contratados no Plano Safra somaram R$ 316,57 bilhões, com crescimento de 6% em relação ao mesmo período anterior.
O principal destaque foi o avanço das Cédulas de Produto Rural (CPR), que cresceram 37% e alcançaram R$ 143,22 bilhões. Com isso, a CPR passou de 34% para 47% da participação total no crédito concedido, mostrando uma mudança importante no perfil de financiamento da produção agrícola.
Enquanto isso, o crédito para investimentos recuou 20%, o que reforça a prioridade dos produtores pelo custeio imediato da safra.
Cooperativas e mercado financeiro ganham mais espaço
Com menor espaço fiscal do governo e maior pressão sobre o Tesouro, o próximo Plano Safra deve consolidar uma nova fase no crédito rural: mais participação do mercado financeiro e das cooperativas.
Instituições como Sicredi, Sicoob e Cresol ampliaram presença no setor e passaram a disputar espaço que antes era quase exclusivo dos grandes bancos. Esse movimento também ajudou a reduzir spreads e ampliar a pulverização do crédito no agro.
Além disso, o financiamento privado do agronegócio já supera R$ 1,3 trilhão, com crescimento relevante de instrumentos como CPR, LCA e CRA.
Setor pede mais recursos e seguro rural fortalecido
Entidades do agronegócio defendem um Plano Safra ainda mais amplo. O Sistema OCB, por exemplo, propõe um programa de R$ 674 bilhões para a safra 2026/2027, com reforço para custeio, comercialização, investimento e agroindustrialização.
Além do crédito, produtores também cobram fortalecimento do seguro rural, mais previsibilidade nas políticas públicas e melhores condições para renegociação de dívidas.
No Tocantins, a preocupação é ainda maior diante do aumento da inadimplência e das dificuldades enfrentadas por produtores em diferentes cadeias produtivas.
Desafio será equilibrar crédito e sustentabilidade fiscal
O grande desafio do governo será ampliar recursos sem elevar de forma desproporcional o gasto público com equalização de juros.
Na prática, a tendência é que o Plano Safra cresça de forma moderada, próximo da inflação, mas com uma estrutura mais competitiva, pulverizada e menos dependente do Tesouro Nacional.
Assim, o novo ciclo do crédito rural deve combinar recursos públicos, cooperativas e mercado de capitais para garantir mais eficiência e sustentabilidade ao financiamento da produção agrícola brasileira.
