A bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), conquistou o Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026, considerado a maior premiação da ciência brasileira.
O anúncio foi feito pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que concede a honraria em parceria com a Marinha do Brasil. Criado em 1981, o prêmio reconhece pesquisadores que se destacam pela realização de obras científicas ou tecnológicas de grande relevância para o país.
Pesquisadora dedica quase 50 anos ao estudo da Amazônia
Maria Teresa desenvolve pesquisas sobre a Amazônia há quase cinco décadas. Atualmente, ela atua como docente nos programas de pós-graduação em Ecologia e Botânica do Inpa e lidera o grupo de pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Maua).
Seu principal foco de estudo envolve os efeitos da variação dos níveis de água durante os períodos de cheia e vazante dos rios amazônicos. Segundo a pesquisadora, esse movimento transforma os ecossistemas de maneira única e influencia diretamente cadeias alimentares e estoques de carbono da região.
Trabalho também analisa impactos de ações humanas
Além do comportamento natural dos rios, Maria Teresa também pesquisa os impactos provocados por intervenções humanas, como a construção de barragens e hidrelétricas.
Um dos casos analisados é o da Hidrelétrica de Balbina, no Amazonas. Segundo ela, após cerca de 30 anos da instalação da usina, extensas áreas de floresta começaram a morrer gradualmente devido à alteração no fluxo natural da água, o que afeta diretamente a biodiversidade local.
Cerimônia de premiação será em maio no Rio
A entrega do Prêmio Almirante Álvaro Alberto acontecerá no dia 7 de maio, no Rio de Janeiro. Na ocasião, Maria Teresa receberá diploma, medalha e uma premiação de R$ 200 mil.
Além disso, o reconhecimento reforça a importância da ciência produzida na Amazônia e amplia a visibilidade de pesquisas voltadas à preservação ambiental e ao equilíbrio climático no Brasil.
Pesquisadora alerta para urgência na preservação
A cientista destaca que a sociedade brasileira depende diretamente do equilíbrio hídrico da Amazônia. Segundo ela, rios, igarapés e florestas formam um sistema essencial para a produção dos chamados “rios voadores”, responsáveis por levar umidade para outras regiões do país.
Por isso, Maria Teresa defende que a pesquisa científica é fundamental para identificar áreas frágeis, orientar políticas de preservação e evitar o agravamento das mudanças climáticas.
Dessa forma, a premiação também simboliza o reconhecimento da importância estratégica da Amazônia para o futuro ambiental do Brasil.


