A falta de vacinas para a pecuária brasileira colocou produtores, entidades do agro e a indústria farmacêutica em estado de alerta nas últimas semanas.
Diante do avanço do desabastecimento, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou medidas emergenciais ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ao mesmo tempo, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) afirmou que a crise está próxima de uma solução gradual.
O Portal TONEWS pediu exclarecimentos e tivemos o pronto atendimento da Comunicação do MAPA. Segue conteúdo na integra:
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que o atual cenário de desabastecimento de vacinas contra clostridioses decorre, principalmente, de decisões mercadológicas adotadas por fabricantes, que descontinuaram a produção e a comercialização desses imunizantes entre o final de 2025 e janeiro de 2026.
Com o objetivo de mitigar os impactos desse cenário, o Mapa vem atuando junto à indústria de insumos veterinários para estimular a ampliação da fabricação e das importações, bem como para acelerar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas.
Como resultado das ações emergenciais adotadas, o Ministério liberou, nos meses de março e abril de 2026, o total de 14.640.910 doses de vacinas contra clostridioses, entre produtos de fabricação nacional e importados.
Desse total, 9.344.060 doses (63%) correspondem à produção nacional, enquanto 5.296.850 doses (37%) são provenientes de importações autorizadas pelo Ministério.
Além disso, há expectativa de autorização de mais 10 milhões de doses ainda no mês de maio, reforçando o abastecimento do mercado nacional.
O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) informou, em 5 de maio de 2026, estimativa inicial de entrega entre 8 milhões e 10 milhões de doses mensais até dezembro, com possibilidade de ampliação no segundo semestre. A projeção é de que possam ser disponibilizadas mais de 100 milhões de doses até o final do ano.
Segundo a CNA, a escassez afeta vacinas fundamentais para o controle de doenças como clostridioses, leptospirose, influenza equina, encefalomielite, herpesvírus e tétano. Além disso, produtores de diferentes regiões do País já relatam dificuldades para encontrar os imunizantes no mercado. Em alguns estados, inclusive, houve registro de mortalidade animal associada à falta de vacinação.
Diante desse cenário, a entidade encaminhou um ofício ao ministro da Agricultura, André de Paula, pedindo ações imediatas para reduzir os impactos sanitários e econômicos sobre os rebanhos brasileiros. No documento, o presidente da CNA, João Martins, destacou que a indisponibilidade das vacinas eleva o risco sanitário e compromete a segurança da produção pecuária nacional.
Além disso, a CNA também pediu esclarecimentos sobre a distribuição das doses remanescentes entre os estados e solicitou maior articulação institucional para acelerar o registro de novos fornecedores e ampliar a entrada de imunizantes no mercado brasileiro.
Por outro lado, o Sindan acredita que o cenário começará a melhorar nos próximos meses. De acordo com a entidade, entre 120 milhões e 140 milhões de doses devem chegar ao mercado brasileiro até o fim de 2026, grande parte delas por meio de importações.
O vice-presidente do Sindan, Emílio Salani, explicou que a liberação das vacinas ocorrerá de forma gradual, com distribuição estimada entre 10 milhões e 12 milhões de doses por mês. Assim, a expectativa do setor é que o abastecimento esteja mais estabilizado dentro de aproximadamente quatro meses.
Segundo representantes da indústria, a crise ganhou força após a saída do mercado brasileiro, em 2025, de uma das principais empresas farmacêuticas que atuavam no segmento de saúde animal. Como consequência, a oferta de imunizantes caiu significativamente, justamente em um momento de forte demanda no campo.
Enquanto a normalização não acontece, especialistas recomendam que os pecuaristas priorizem a vacinação de categorias mais vulneráveis, como bezerros e animais em confinamento. Dessa forma, o setor tenta reduzir os riscos de surtos sanitários e prejuízos produtivos durante o período de escassez.
A preocupação do agro é ainda maior porque a sanidade animal tem papel estratégico para a competitividade da pecuária brasileira e para a manutenção dos mercados internacionais. Por isso, entidades do setor defendem uma atuação rápida do governo federal para evitar impactos mais amplos na cadeia produtiva.


