A falta de medicamentos na rede pública de Palmas tem preocupado pacientes e levado o Sindicato dos Farmacêuticos do Tocantins (Sindifato) a cobrar medidas para solucionar o desabastecimento.
Segundo a entidade, pacientes relatam dificuldades para encontrar desde medicamentos básicos e de uso contínuo até produtos especializados. O problema, de acordo com o sindicato, envolve unidades públicas e também farmácias e drogarias que atendem demandas da rede municipal.
O presidente do Sindifato, Renato Soares Pires Melo, afirma que a situação pode comprometer a continuidade de tratamentos e aumentar a pressão sobre o sistema público de saúde.
Falta de medicamentos atinge atendimento de saúde mental
Um dos pontos destacados pelo Sindifato é o atendimento de crianças e adolescentes no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i).
De acordo com o sindicato, medicamentos como quetiapina e risperidona chegaram a apresentar estoque zerado, situação que, segundo a entidade, pode comprometer tratamentos de pacientes atendidos pelo serviço.
A situação chegou ao Ministério Público do Tocantins (MPTO), que, conforme informado pelo sindicato, acionou a Justiça e chegou a solicitar o bloqueio de recursos municipais para garantir a compra emergencial dos medicamentos.
UPAs também apresentam falta de medicamentos e insumos
O alerta também envolve as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas.
Segundo o Sindifato, vistorias realizadas pela Defensoria Pública do Tocantins identificaram falta de medicamentos e insumos hospitalares, incluindo antibióticos.
A situação é especialmente relevante nas unidades de pronto atendimento porque a disponibilidade de medicamentos e materiais é necessária para o atendimento imediato de pacientes.
A Defensoria Pública já identificou anteriormente problemas semelhantes em unidades de Palmas. Em uma vistoria na UPA da região Sul, por exemplo, foram encontrados 33 tipos de medicamentos em falta, principalmente antibióticos, além de insumos hospitalares.
Sindifato aponta falhas na compra de medicamentos
O sindicato também questiona os processos utilizados pela administração municipal para aquisição e reposição dos medicamentos.
Segundo a entidade, relatórios apontam problemas relacionados a licitações e processos de compra, enquanto órgãos de controle vêm acompanhando a situação.
O Sindifato afirma ainda que o Ministério Público tem realizado fiscalizações e cobrado da Secretaria Municipal de Saúde medidas para solucionar o desabastecimento em diferentes unidades da capital.
Interrupção de tratamento pode aumentar custos para o município
Para o presidente do Sindifato, a falta de medicamentos produz dois efeitos principais.
O primeiro é a possibilidade de interrupção ou atraso dos tratamentos, situação que pode agravar o quadro de saúde de alguns pacientes.
O segundo envolve os próprios gastos públicos. Segundo Renato Soares, quando um tratamento não é realizado adequadamente, o paciente pode posteriormente necessitar de medicamentos mais caros, consultas, exames ou até internação.
A avaliação é de que a prevenção do desabastecimento pode representar também uma forma de evitar gastos adicionais para o município.
Falta de farmacêuticos também preocupa entidade
Além dos medicamentos, o Sindifato aponta problemas relacionados ao número de profissionais disponíveis na rede municipal.
Para a entidade, o farmacêutico possui papel estratégico na programação das compras, controle de estoques, distribuição dos medicamentos e uso racional dos recursos públicos.
O sindicato já havia alertado anteriormente que a falta de profissionais e de medicamentos vinha afetando a assistência farmacêutica em Palmas.
Prefeitura ainda não se manifestou
O Conexão Tocantins informou que procurou a Prefeitura de Palmas e a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) para obter esclarecimentos sobre o desabastecimento.
Até a publicação da reportagem, o veículo informou que aguardava o posicionamento da administração municipal.
A manifestação da Prefeitura é importante para esclarecer quais medicamentos estão em falta, quais medidas estão sendo adotadas para regularizar o abastecimento e quais são os prazos previstos para normalização.
Problema exige acompanhamento dos órgãos de controle
A situação ocorre em um momento de atenção sobre a gestão da saúde pública de Palmas.
Além das reclamações sobre medicamentos, a rede municipal enfrenta discussões envolvendo a gestão das UPAs e outros serviços de saúde.
Nesse cenário, o acompanhamento do Ministério Público, da Defensoria Pública e de outros órgãos de controle pode ajudar a identificar as causas do desabastecimento e acompanhar as medidas adotadas pelo município.
Abastecimento regular é essencial para continuidade dos tratamentos
A disponibilidade de medicamentos é uma das etapas fundamentais da assistência farmacêutica.
Para pacientes que dependem do SUS, a interrupção de um medicamento de uso contínuo pode representar uma dificuldade adicional para manter o tratamento.
Por isso, além de resolver eventuais problemas emergenciais, o desafio para a administração municipal é garantir planejamento de compras, controle de estoque e reposição regular dos medicamentos distribuídos pela rede pública.
O Sindifato defende que a participação dos farmacêuticos na gestão da assistência farmacêutica seja ampliada para contribuir com esse planejamento.


