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72% dos compradores de imóveis exigem infraestrutura para carros elétricos

A expansão dos veículos elétricos e híbridos começa a mudar também o mercado imobiliário brasileiro.

Um levantamento da Brain Inteligência Estratégica mostra que 72% dos compradores de imóveis consideram essencial que o empreendimento tenha preparação para a instalação de sistemas de recarga de veículos elétricos.

O resultado indica uma mudança no comportamento do consumidor. O que até pouco tempo era tratado como um diferencial tecnológico começa a ser percebido como parte da infraestrutura necessária de um imóvel moderno.

A transformação afeta principalmente incorporadoras, construtoras e condomínios, que precisam considerar a expansão da mobilidade elétrica ainda na fase de planejamento dos empreendimentos.

Recarga passa a influenciar decisão de compra

A presença de infraestrutura para carregamento pode se tornar um dos critérios considerados pelo consumidor na hora de escolher um apartamento ou uma casa em condomínio.

Para quem já possui um veículo elétrico ou pretende adquirir um nos próximos anos, ter uma vaga preparada para receber um carregador representa praticidade e reduz a necessidade de adaptações futuras.

A tendência também pode ganhar força entre investidores interessados em imóveis com maior potencial de locação.

Empreendimentos preparados para atender veículos eletrificados podem se tornar mais atrativos à medida que a frota brasileira aumenta.

Mercado de carros elétricos cresce no Brasil

A mudança no mercado imobiliário acompanha o avanço da eletrificação dos veículos.

Dados divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que 215.023 veículos leves eletrificados foram vendidos no primeiro semestre de 2026, alta de 125% em relação ao mesmo período de 2025.

Somente em junho, foram 47.579 unidades, fazendo com que os eletrificados representassem 18% das vendas de veículos leves naquele mês.

O crescimento da frota aumenta naturalmente a necessidade de infraestrutura para carregamento.

Brasil já tem mais de 25 mil pontos de recarga

A infraestrutura também vem acompanhando esse crescimento.

Em junho de 2026, o Brasil possuía 25.429 eletropostos públicos e semipúblicos, segundo dados da ABVE e da Tupi Mobilidade. O número representa crescimento de aproximadamente 21% em relação à atualização anterior, realizada em fevereiro.

Outro destaque é a expansão dos carregadores rápidos.

Os equipamentos de corrente contínua (DC) já representam cerca de 34% da infraestrutura pública e semipública de recarga no país.

Esse avanço contribui para aumentar a confiança do consumidor na adoção dos veículos elétricos.

Condomínios antigos enfrentam mais desafios

A adaptação é mais simples quando a infraestrutura é prevista ainda durante o projeto do empreendimento.

Em edifícios antigos, entretanto, a instalação de carregadores pode exigir mudanças na infraestrutura elétrica.

Dependendo do número de veículos e da potência dos equipamentos, podem ser necessários:

  • reforço da capacidade elétrica;
  • adequações no sistema de distribuição;
  • novos circuitos;
  • sistemas de medição individualizada;
  • adequações nas vagas de garagem;
  • avaliação da capacidade da rede elétrica.

Essas mudanças podem representar custos adicionais e, em condomínios, também podem depender de decisões coletivas dos moradores.

Planejamento elétrico pode evitar custos futuros

Especialistas do setor defendem que a infraestrutura seja pensada antes mesmo da entrega do empreendimento.

A preparação antecipada permite dimensionar a instalação elétrica considerando uma possível expansão da quantidade de carregadores ao longo dos anos.

Isso pode evitar obras mais complexas no futuro.

A tendência é semelhante ao que ocorreu com outros itens que passaram a ser incorporados aos projetos imobiliários, como infraestrutura para internet, automação, segurança e eficiência energética.

Incorporadoras começam a antecipar essa demanda

Algumas empresas já incorporam a preparação para a mobilidade elétrica aos novos empreendimentos.

A Vanguard, marca do Grupo Plaenge, por exemplo, prevê infraestrutura para futura instalação de carregadores de veículos elétricos com medição individualizada em seus projetos, segundo informações divulgadas pela empresa.

A estratégia busca antecipar uma demanda que tende a crescer conforme aumenta a presença de veículos eletrificados nas cidades.

Infraestrutura pode ajudar na valorização do imóvel

Para investidores, a preparação para carregadores também pode representar uma forma de preservar a competitividade do imóvel.

À medida que veículos elétricos e híbridos plug-in se tornam mais comuns, apartamentos sem possibilidade de instalação de carregadores podem encontrar maior resistência entre determinados perfis de compradores e locatários.

Isso não significa necessariamente que todo imóvel preparado terá uma valorização automática, mas a infraestrutura pode se tornar um fator adicional de diferenciação.

Tocantins também acompanha avanço dos veículos elétricos

A mudança já pode ser observada no Tocantins.

Dados do Detran apontavam 2.168 veículos eletrificados registrados no estado até abril de 2026. Apenas no primeiro quadrimestre, foram 741 novos registros, contra 295 no mesmo período de 2025, crescimento de 151,19%.

O avanço da frota também aumenta a importância de preparar residências, condomínios e estabelecimentos comerciais para a recarga.

A Energisa Tocantins já alertou que a instalação de carregadores residenciais precisa passar por análise técnica da distribuidora, porque o equipamento representa aumento significativo da carga elétrica da unidade consumidora.

Palmas pode sentir essa mudança no mercado imobiliário

Para Palmas, onde o mercado imobiliário passa por expansão e novos empreendimentos continuam sendo lançados, a infraestrutura para veículos elétricos pode ganhar espaço como elemento de diferenciação.

A combinação entre crescimento da população, novos projetos residenciais e aumento da frota eletrificada cria uma demanda potencial por imóveis preparados para essa tecnologia.

Assim, a garagem pode começar a assumir uma função diferente: não apenas espaço para estacionar, mas também uma estrutura preparada para abastecer o veículo.

Mobilidade elétrica começa a transformar os imóveis

O levantamento da Brain mostra que a mudança não está acontecendo apenas na indústria automobilística.

A expansão dos veículos eletrificados começa a influenciar onde e como as pessoas querem morar.

Com 72% dos compradores considerando essencial a preparação para recarga, incorporadoras e construtoras passam a ter um novo elemento para considerar nos projetos.

A tendência é que a infraestrutura para veículos elétricos deixe gradualmente de ser vista como um item exclusivo de empreendimentos de alto padrão e passe a fazer parte do planejamento de diferentes segmentos do mercado imobiliário.

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