A polarização nas eleições presidenciais de 2026 influencia uma parcela significativa do eleitorado brasileiro.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21), 30% dos eleitores afirmam que votam em determinado candidato principalmente para evitar que outro seja eleito.
Por outro lado, 61% afirmam escolher seu candidato por considerá-lo mais preparado e por avaliar que ele apresenta as melhores propostas. Outros 7% deram respostas diferentes e 2% não souberam responder.
O resultado mostra que, embora a avaliação das propostas e da capacidade dos candidatos seja o principal fator declarado pela maioria, o chamado voto estratégico tem peso relevante na disputa presidencial.
Pesquisa foi realizada em agosto
O levantamento foi realizado entre os dias 18 e 19 de agosto, período que já corresponde ao início oficial da campanha eleitoral.
Foram entrevistadas 2.058 pessoas com 16 anos ou mais em 128 municípios brasileiros. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando o total da amostra, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04496/2026 e foi encomendada pela Folha e pela TV Globo.
Voto para derrotar outro candidato é maior entre eleitores de Flávio
Entre os eleitores que declararam intenção de votar em Flávio Bolsonaro (PL), 35% afirmam que o principal objetivo é evitar a eleição de outro candidato.
Já 56% dizem escolher o senador por considerá-lo o candidato mais preparado, enquanto 7% deram outras respostas e 2% não souberam responder.
O percentual de voto estratégico também aparece entre os eleitores de outros candidatos.
Entre os que escolheram Romeu Zema (Novo), 37% dizem votar nele com o objetivo de impedir a eleição de outro concorrente. O número, porém, deve ser analisado com cautela porque a margem de erro nesse grupo chega a 13 pontos percentuais.
Entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), 31% apontam a mesma motivação, com margem de erro de nove pontos.
Eleitores de Lula também citam voto estratégico
Entre os eleitores do presidente Lula (PT), 23% afirmam que o objetivo principal de seu voto é evitar a vitória de outro candidato.
A maioria, entretanto, declara uma motivação diferente: 68% dizem votar em Lula por considerá-lo o candidato com as melhores propostas e o mais preparado.
O resultado indica que o voto motivado pela rejeição ao adversário não está concentrado exclusivamente em um dos lados do espectro político.
Polarização aparece no comportamento do eleitor
O levantamento aponta para um cenário em que parte significativa dos eleitores não escolhe apenas entre propostas ou características dos candidatos.
O objetivo de impedir a vitória de um adversário também influencia a decisão.
Esse comportamento é conhecido como voto estratégico ou voto útil. Nesse caso, o eleitor pode deixar de escolher seu candidato preferido para apoiar aquele que considera ter maiores condições de derrotar um adversário que rejeita.
Segundo a análise da pesquisa, o fenômeno está relacionado à polarização entre Lula e os principais nomes da direita que disputam espaço no eleitorado antipetista.
72% dizem já ter decidido o voto
A pesquisa também mostra que boa parte do eleitorado já possui uma decisão formada.
72% dos entrevistados afirmam que a escolha do candidato está definida.
Entre os eleitores de Lula, esse percentual sobe para 82%, enquanto chega a 78% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro.
O dado indica que uma parcela expressiva da disputa já apresenta eleitores consolidados, embora ainda exista espaço para mudanças durante a campanha.
Lula e Flávio aparecem na frente na disputa presidencial
O mesmo levantamento Datafolha mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 33%.
Ronaldo Caiado tem 5%, Renan Santos aparece com 4% e Romeu Zema registra 3%. Os demais candidatos ficam com percentuais menores.
No segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista aparece com 47% contra 43% do senador.
A distância entre os dois principais candidatos, portanto, permanece dentro de uma disputa competitiva, especialmente considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
O que é voto estratégico?
O voto estratégico ocorre quando o eleitor escolhe um candidato não necessariamente por considerá-lo sua primeira opção, mas porque acredita que ele tem melhores condições de impedir a vitória de outro concorrente.
Esse comportamento costuma ganhar força em disputas polarizadas, especialmente quando existe grande rejeição entre grupos de eleitores.
Nas eleições de 2026, o fenômeno aparece tanto entre eleitores de Lula quanto entre os apoiadores dos principais candidatos da direita.
Campanha ainda pode mudar o cenário
Apesar do alto percentual de eleitores que dizem já ter decidido o voto, a campanha eleitoral ainda está em sua fase inicial.
Debates, propaganda eleitoral, alianças, acontecimentos políticos, desempenho dos candidatos e novos fatos podem influenciar parte do eleitorado até outubro.
A pesquisa, portanto, retrata o comportamento do eleitor no momento em que as entrevistas foram realizadas, e não representa uma previsão do resultado da eleição.
Perguntas frequentes
Quantos eleitores votam para evitar que outro candidato seja eleito?
Segundo o Datafolha, 30% dos entrevistados afirmam que essa é a principal razão para escolher seu candidato à Presidência.
Quantos votam pelas propostas do candidato?
61% afirmam escolher seu candidato por considerá-lo mais preparado e por avaliar que ele possui as melhores propostas.
Quantos eleitores de Lula votam para impedir outro candidato?
Entre os eleitores de Lula, 23% dizem que o principal objetivo é evitar a eleição de outro candidato.
E entre os eleitores de Flávio Bolsonaro?
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 35% afirmam votar nele principalmente para impedir a vitória de outro candidato.
Quando foi realizada a pesquisa Datafolha?
As entrevistas foram realizadas nos dias 18 e 19 de agosto de 2026, com 2.058 pessoas em 128 municípios.


